Lídia e Ewerton de Castro em "O Colecionador", peça de 1983.

Em 1983, Lídia Brondi subiu aos palcos do teatro Delfin, no Rio de Janeiro, interpretando Miranda, na peça “O Colecionador”.

A atriz dividiu a cena com Ewerton de Castro. O personagem do ator era um cara solitário, que amava platonicamente Miranda, chegando a mantê-la como refém.

A peça, um dos destaques da carreira de Lídia Brondi no teatro, foi dirigida por Luíz Fernando e baseada no original de Alan Parker, com adaptação de Juca de Oliveira.

Ewerton de Castro relembrou um episódio dos bastidores da peça. Em sua biografia, ele narra o fato inusitado que aconteceu durante a encenação de “O Colecionador”:

“(…) Estávamos Lídia Brondi e eu na cena em que Miranda tenta seduzir minha personagem. Eu de cueca e ela de calcinha. Nisso eu ouço uma voz:– Ewerton! Levei um susto, mas continuei representando. Outra vez ouvi:
– Ewerton! Pensei comigo que se me chamassem mais uma vez, devia ser alguma coisa muito importante.

Ao ouvir o terceiro Ewerton cobri a Lídia com o lençol e de cuecas fui para a boca de cena perguntar o que estava acontecendo. Era nosso iluminador Aurélio de Simoni me dizendo para pedir para as pessoas da terceira fila saírem do lugar. Ele precisa subir numa escada para colocar a máscara de ferro de um refletor posicionado em cima da platéia que tinha saído do lugar e estava para cair na cabeça de algum espectador. Depois de corrigida a falha voltamos a atuar a partir do momento da interrupção, sob os aplausos da platéia.

Ewerton de Castro em sua biografia “Minha Vida na Arte: Memória e poética”, de Reni Cardoso, série Aplauso (2009).

Em comum, Lídia Brondi e Ewerton ainda fizeram parte do elenco de outras duas obras: na televisão, em “Roque Santeiro” (Globo, 1985), e no cinema, no filme “Rádio Pirata” (1987), de Lael Rodrigues.

O ator escreveu um depoimento sobre Lídia Brondi para a Edição Especial de “Playboy”, em agosto de 1987. Ele disse:

“(…) Eu tive a sorte de trabalhar com ela no teatro, na peça “O Colecionador” e ela fez lindamente. A Lídia trabalha mesmo. Dedica-se demais, além do talento, que por si só não é o bastante. Ela trabalha o talento e se empenha na profissão. Como pessoa, nem se fala. Ela realmente é uma gracinha. É maravilhosa. E eu sou tiete dela. Somos amigos que não se veem com frequencia, mas a qualidade do afeto que nutre essa amizade é inalterada. Mesmo porque Lídia é uma pessoa muito mais bonita por dentro do que por fora, apesar de ser absolutamente linda de corpo também”.

Depoimento de Ewerton de Castro na página 23 da Edição Especial de “Playboy” – Agosto de 1987.

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