Lídia, aos 17 anos: "Ainda não sei se continuo como atriz".

A personagem Beatriz, da novela “Espelho Mágico”, rendeu a Lídia Brondi o prêmio de atriz revelação do ano de 1977. O papel da menina problemática consagrou a atriz aos 17 anos.

Em uma de suas entrevistas naquele ano, Lídia Brondi falou da experiência de ser filha de pais separados, o mesmo drama de sua personagem na novela de Lauro César Muniz. A atriz ainda falou de sonhos sobre casamento e carreira.

O mais interessante é que, já nessa idade, ela dizia que não sabia se continuava como atriz.

A matéria foi publicada na seção “Confidencial”, da revista “Capricho”, em 1977. O texto é de Júlio César Vieira.

“Não quero me desquitar como meus pais”
Esta é uma grande preocupação de Lídia Brondi na vida real. E, por coincidência, é o mesmo problema de Beatriz, seu papel em “Espelho Mágico.

Tem apenas 17 anos e diz: “Estou louquinha para fazer logo 18 anos e poder assistir aos filmes impróprios para menores”. Mas suas preocupações em relação à vida demonstram amadurecimento. Afinal, ela já enfrentou na própria pele os mesmos drama que hoje vive no papel de Beatriz, a menina-problema da novela “Espelho Mágico”.

“Acho que fui escolhida para este papel por ser filha de um desquitado, viver com minha mãe, mas transar muito bem com a atual mulher do meu pai. Uma situação semelhante à da história do Lauro César Muniz, onde sou filha de Leila (Glória Menezes) e Jordão (Juca de Oliveira), mas vivo em companhia de minha mãe e de seu novo marido, Diogo (Tarcísio Meira)”.

Astros de "Espelho Mágico": Lídia Brondi, Tony Ramos e Glória Menezes.

Lídia brinca, dizendo que já está com casamento marcado: “Se tudo estiver bem até lá, dentro de dez anos juntaremos os trapinhos”. Liberal, ela acha que casamento, ou “ajuntamento”, não faz a menor diferença.

O namorado, Ângelo Henrique, estudante de engenharia, pensa como ela. “Ele só tem um defeito”, diz Lídia, “é exclusivista. Apesar de não comentar, sei que não gosta quando me vê beijando um amigo íntimo ou colega de profissão”.

“Sabe de uma coisa? Tenho medo da vida”, ela continua. “Sinceramente, não quero passar pela experiência de meus pais. Só me casarei quando tiver certeza de estar amando e ter a experiência necessária para enfrentar uma vida em comum e educar os filhos”.

“Ainda não sei se continuo como atriz”. Rindo, um pouco por nervosismo, Lídia confessa ter uma verdadeira paixão pelo teatro, mas, apesar disso, nunca imaginou ser atriz, e, muito menos, dar entrevistas.

Tudo começou há três anos, quando o pai, que pertence ao quadro de consultores da TV Educativa, a levou para assistir a um programa. A emissora estava precisando de uma garota para viver o papel-título de uma série educativa chamada “Márcia e Seus Problemas”. O pai concordou, ela fez o teste e foi aprovada.

Depois disso, Lídia não parou mais de trabalhar: participou de “O Grito”; foi uma das filhas de Campos Lara em “O Feijão e o Sonho”; durante dois meses apareceu no humorístico “Planeta dos Homens”; e antes de ser a atual Beatriz, foi Lúcia, a filha de Alvarez, o dono do circo de “À Sombra dos Laranjais”.

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