Lídia Brondi como a vilã Joyce de "O Homem Proibido".

Baseada na obra de Nelson Rodrigues e escrita por Teixeira Filho, a novela “O Homem Proibido” teve sua estreia censurada no dia 1º de março de 1982. No horário que seria exibida a trama, a Rede Globo reprisou um especial de Roberto Carlos.

O Conselho Superior de Censura tinha considerado a temática imprópria para ser exibida às 18 horas. A novela só foi ao ar no dia seguinte, na terça-feira, 2 de março.

O que pesava contra a novela, além do fato de ser uma história de Nelson Rodrigues, era que a vilã Joyce, vivida por Lídia Brondi, tinha surtos neuróticos, visões e amargava a lembrança do suicídio de sua mãe, Senhorinha (Mira Palheta). A história ainda sugeria um relacionamento homossexual entre as primas Joyce e Sônia (Elizabeth Savalla).

A própria Lídia Brondi considerou a história “pesada” para o horário. Na edição de 2 de março de 1982, do Jornal do Brasil, Lídia declarou:

”Gravar tanto tempo nessa tensão, sem mesmo saber se a novela vai ou não para o ar, é uma barra”, dizia Lídia Brondi na tarde de sexta-feira, nos corredores da TV Globo, enquanto esperava para contracenar com Elizabeth Savalla em mais uma das 58 cenas do dia. “O pior é que os argumentos da Censura Federal são lógicos. E contra essa lógica a gente fica na expectativa, sem saber o que vai acontecer. Joyce, que é a personagem que estou fazendo, é muito neurótica. O argumento é que o horário é de crianças, e elas podem ficar influenciadas e desejarem ter um comportamento tão neurótico quanto o de Joyce. Realmente, ela tem visões, uma maneira de agir que talvez pudesse fazer com que crianças pequenas tentassem reproduzir o mesmo em suas vidas.”

Mas, quando a novela foi ao ar, o que se viu em destaque foi a disputa das primas Joyce e Sônia pelo amor do mesmo homem, o médico Paulo (David Cardoso). E Lídia Brondi conseguiu fazer de sua personagem uma vilã inesquecível.

Fonte: Acervo TV-Pesquisa PUC-Rio.

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