A repórter Elena Corrêa escreveu a matéria “Bom mesmo é ser anônimo”, publicada no jornal “O Globo” de 29 de fevereiro de 2004. O texto fala sobre Lídia Brondi, Nádia Lippi e Walmor Chagas, atores que decidiram trocar a correria da vida artística pela tranquilidade longe dos holofotes.

Nádia Lippi fez uma participação em “Brida” (Manchete, 1998) e “Prova de Amor” (Record, 2005). Walmor fez participações especiais em novelas da Globo e da Record, como “Caminhos do Coração” (2007). Mas Lídia preferiu manter-se no anominato. Confira trechos da matéria de Elena Corrêa:

Sinal dos tempos? Enquanto cresce a cada dia a corrida em busca da fama custe o que custar, há anos alguns famosos, que brilhavam pelo talento, faziam o caminho de volta. Eles abriram mão das luzes dos holofotes, trocando-as pela liberdade de viverem suas vidas no mais absoluto anonimato. Nádia Lippi, Lídia Brondi e Walmor Chagas são alguns exemplos de quem saiu do ar por livre e espontânea vontade.

Com Nádia, a decisão aconteceu há 23 anos, quando ela fazia a novela “As três Marias”, na Rede Globo. Tudo começou um ano antes, quando a atriz conheceu a pessoa com quem está casada até hoje (já que sua opção é o anonimato, não vamos aqui entrar em detalhes sobre quem é e o que faz). Como não se trata de alguém do meio, ficava difícil conciliar o ritmo de vida dos dois, estando ela sempre gravando, fazendo teatro e indo e vindo de São Paulo.

Coincidências à parte, dez anos depois de Nádia ter saído de cena, foi a vez de Lídia Brondi se refugiar em casa, fugindo do assédio da imprensa e dos fãs que tanto encanta àqueles que dariam tudo para ter seus cinco minutos de fama. Seu último trabalho foi em “Meu bem, meu mal”, em 1990. Segundo o ator Cássio Gabus Mendes, com quem Lídia é casada há 15 anos, foi uma decisão pessoal. E ela está muito bem tendo um outro ritmo de vida.

— O importante é conseguir ser feliz encontrando outras formas de trabalhar, mesmo sem ter notoriedade. O universo depende do trabalho em que se lida. Há muita confusão sobre isso. Até que preço isso (a notoriedade) é interessante? É difícil para quem está de fora entender. Se amanhã eu achar outra coisa e resolver mudar minha vida, pode ser que as pessoas não entendam — afirma Cássio.

Já Walmor Chagas, que trocou os estúdios por uma montanha a 1.200m de altitude, na Serra da Mantiqueira, onde leva a vida lendo, escrevendo e cuidando de sua propriedade, usa uma frase de Fernando Pessoa para explicar sua decisão: “A fama é vulgar”.

Fonte: Acervo TV-Pesquisa da PUC-Rio.

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